Nos últimos anos, os planos de saúde no Brasil estão cada vez mais sendo questionados. Por ambas as partes, tanto dos clientes que reclamam dos serviços prestados quanto dos profissionais que atuam na área. Aproveitando o momento, a Academia Brasileira de Neurologia (ABN) encomendou um estudo para entender o que os profissionais da área apontavam como principais pontos.

Participaram 224 pessoas da pesquisa, do dia 25 de setembro a 20 de outubro deste ano, onde foram mapeadas as relações entre os especialistas e as empresas de seguro e planos de saúde do país. No relatório final, alguns dados chamaram a atenção:

  • apenas 1,41% dos profissionais declararam que a remuneração do plano de saúde é boa;
  • menos de 30% consideram o relacionamento bom ou ótimo com as operadoras;
  • do total de entrevistados, 36,61% não trabalham mais com planos de saúde;
  • já 32,59% atendem de 1 a 3 planos de saúde, 4,46% de 4 a 5 e 26,34% trabalham para mais de 5 operadoras diferentes;
  • daqueles que não trabalham com nenhum plano, 82,39% disseram que a baixa remuneração é o principal fator.

“Baixa remuneração salarial, dificuldades nos relacionamentos, interferência nas propostas de tratamento e restrição na solicitação e na autorização de exames são fatores que dificultam os neurologistas a atuarem com planos de saúde”, avalia Francisca Goreth Fantini, coordenadora da Comissão de Exercício Profissional da ABN.

Os profissionais apontaram ainda mais problemas. O aumento da burocracia é um dos fatores de maior insatisfação dos médicos. As restrições na solicitação e na autorização de exames foram apontadas por 87,47%. E, ainda, 5 em cada 10 médicos enfrentam dificuldades para internar um paciente.

Outra reclamação é o que os profissionais classificam como desrespeito à sua qualificação. O estudo apontou que 8 em cada 10 especialistas sofrem interferência em suas decisões (56,34% às vezes e 15,49% com frequência) por parte dos planos.

Mais sobre a Pesquisa

A maior parte dos respondentes (51,34%) possui mais de 15 anos de formação. A predominância foi nas regiões Sudeste (46,43%) e Sul (23,21%).

“O Sudeste concentra a maior população dos entrevistados, presentes em pólos regionais, decorrentes, provavelmente, da superespecialização. Havendo desigualdade geográfica entre a oferta e a procura, são necessários programas de incentivo para viabilizar os perfis desses profissionais, sob um olhar para o futuro.”, finaliza Fantini, coordenadora da Comissão de Exercício Profissional da ABN.

 

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